22/04/11
VoZ Em FúRiA: A verdade tem que ser dita, TODA relação é baseada no interesse!
É isso mesmo, temos que aceitar que nossas relações
são construídas por nosso puro interesse e egoismo,
e precisamos compreender que isso não é errado,
é algo natural de nós, família, amigos, religião,
TUDO é montado e moldado aos nossos interesses,
e nesse texto vou tentar comprovar isso para vocês.
Na verdade tudo na nossa vida é movido pelo interesse,
e o principal é o de sobrevivência, com base nele
tudo se move em volta desse eixo, esse nosso instinto
de sobreviver estabelece um "modelo" de como vamos
viver no dia a dia e que tipos de interesses cabem
nesse molde criado por nós.
Parece meio complexo, mas é bem simples!
Temos nossos gostos e preferências para
manter o nosso viver do jeito que desejamos,
isso vai de uma simples opção de cor de roupa
até a religião que escolhemos seguir.
Quando criamos esse modo de vida baseado
nas nossas vontades e escolhas fazemos
de tudo para garantir que esse molde
não seja abalado e que esteja sendo
melhorado a cada dia ou ficar estável.
Aí que vem a questão do interesse nas relações humanas,
que são manutenções continuas do nosso viver,
é nas relações sociais que surgem os interesses egoístas
que servem como garantia do bem estar do indivíduo,
sem elas nunca seria possível estarmos satisfeitos,
ou pelo menos estáveis com a vida que levamos.
Você se relaciona com um outro ser porque
existe algum interesse por trás desse contato,
as pessoas se gostam, querem estar próximos
uns dos outros para satisfazer suas vontades
mais profundas e quase nunca externam esses
pensamento porque na sociedade em que vivemo
isso é julgado de forma negativa.
Fomos criados com a visão que devemos ajudar
o próximo, mas dificilmente alguém nos fala
que até nessa ajuda tem nossos interesses
por trás desses atos de caridade.
Devemos admitir e aceitar essa realidade
da forma mais natural possível, não é errado ser egoísta,
porque já nascemos assim por causa do nosso
instinto de sobrevivência e de preservação
e manutenção do nosso viver, o real problema
é de que forma que apresentamos esses interesses
e de que jeito tentamos saciar as nossas vontades.
Então, perceba e assuma que você é um ser totalmente
individualista e que até em ações coletivas existem
os interesses individuais que reinam e nos guiam
para a conservação dos nossos viveres que prezamos tanto.
Era essa a intenção do texto,
meu interesse de fazer você
pensar sobre o assunto e
admitir que é mais um
interesseiro no meio
da multidão!
15/04/11
[Casos e acasos] Bilhete de loteria
- Todo dia é sempre igual...
A mulher pragueja, peleja. Ele, uma vontade sobre-humana de que o teto caia sobre sua língua. "Ainda precisa das mãos para cozinhar".
Jornal, realidade estampada a olhos vistos, a quem quiser ver. Pois bem, ele não quer. Vindo a aposentadoria no início do mês, a comida na hora que sente fome e as camisas lavadas e passadas, tudo certo. Nunca precisou mais que isso; a mulher, um presente dos anos de esforço. Agora, um presente de grego. Rugas, varizes, os quilos que ela tenta perder com dietas estúpidas. Ela, estúpida. Filhos, para conter a ânsia familiar de rebentos, herdeiros, molecotes puxando estilingue para matar pássaro.
Uns ingratos. Velho como estava, doía-lhe andar, pensar. Meninos, - ainda se houvesse uma menina para cozinhar! - hoje homens. Bestas. Um metido a idealista, outro a intelectual, outro a aventureiro. Basta casar, que o ciclo casa-mulher-trabalho tomava conta de suas cabeças e esqueciam que existia aquele pai, de idade avançada. Nem pros jogos de domingo aparecem mais. Nenhum agradeceu todos os anos aguentando o sol forte, a luta diária, os insultos, o puto do patrão. Não, eles não reconheceriam nem se esfregasse em seus rostos. Droga, a mulher não desliga a televisão. Antes lesse. Antes a realidade escrita do que vista.
- Mas você não pod...
- Shhhh! Vão anunciar o número da loto!
Não bastasse a comida na hora errada, a patacoada pseudojornalística, agora gastava o dinheiro que não tinham na loteria. Queria dinheiro, que trabalhasse! Não que tivesse acumulado muito. Mas era o suficiente para ter algum conforto. Se ela pensava que iria usar seu dinheiro desta forma, estava muito...
- Ganhei! Ganhei! Dois milhões e seiscentos mil acumulados!
A mulher, esquecendo a dor nas costas e as varizes, pulava. Não. Não poderia ter acontecido com eles.
- Ora, o que é isso? Ganhei, ganhamos! Comemora! Isso nunca aconteceu, talvez não aconteça nunca mais. Deus finalmente ouviu minhas preces...
Ele, antes cético, estava boquiaberto. Ele, milionário? José. O nome nem combinava com o título. Ouviu tantas vezes e agora, José?, em tom de brincadeira. Ele se fazia a pergunta de outrora. E agora?
A mulher ignorando o entrave em que se encontrava o cônjuge, ainda estava em êxtase. Ele a observou, demoradamente. Ainda persistia – ainda que pouco – aquilo que vira na companheira, quando eram moços. Os cabelos castanhos, quase pretos, balançando a cada impulso que dava para um novo salto, os dentes imaculadamente brancos, os olhos de um azul-céu. Sim, ela era bonita, à sua maneira. E era sua. Apenas sua, ainda que cozinhasse diferente do modo que gostava. Porém, isso seria resolvido quando contratassem uma empregada, daquelas de cama, mesa e banho.
Cama...
- Repetindo: quatro, nove, oito, três, nove, cinqüenta e seis.
- Cinqüenta e seis?
O olho da mulher escureceu. Ele piscou.
- O que tá nesse bilhete?
- Quarenta e seis.
Pronto. A atmosfera psicodélica, de felicidade e otimismo, desapareceu. De repente, os dentes da mulher voltaram a ser amarelos, os cabelos esbranquiçados e os olhos, azul-desbotados. A empregada foi-se para um universo qualquer. E a comida, essa sim ficaria pior do que nunca nesta noite.
08/04/11
VoZ Em FúRiA: Qual a importância ou não dos rótulos socias?
Louco, punk, metelão, puta, junkie, nerd, indie, estilo próprio, ongueiros
cult, santo, entre milhões de rótulos são criados para a identificação
das pessoas com determinados moldes de vida gerando diversificados grupos sociais
e causando em seus participantes um bem-estar por fazer parte do corpo social.
Isso cria também por muitas vezes uma estagnação do ser,
onde ele se fecha para o mundo e vive em função desses esteriótipos
e não busca conhecer ou até mesmo interagir com outros grupos por fidelidade
as "suas" escolhas de como se deve viver, esse é o problema!
Nós humanos somos seres sociais e todos sabem disso, não tem como negar
que já nascemos dependendo de outros, e também precisamos fazer parte
desse todo que são agrupamentos sociais, coletivos, sociedades, clãs,
tribos e por aí vai, necessitamos viver com outros (in)felizmente!
Daí que surge as identificações coletivas, e a divisão entre grupos
e modos de viver, nós precisamos dessas definições para fazer
parte da sociedade onde vivemos, não queremos ser os excluídos
ou nos sentirmos perdidos na multidão, nosso desejo é ter semelhantes
no modo de pensar, agir, de viver em forma mais geral possível.
Esses laços sociais são de extrema importância para nossa sobrevivência,
já nascemos em um ambiente preparado, as cartas já estão marcadas
você só pode escolhê-las. Essas cartas foram marcadas por vários
grupos através de acordos coletivos que nem participamos,
mesmo assim nos adaptamos a eles porque são importantes para nosso viver.
O que vejo como problema é a obsessão humana por glorificar seus grupos,
e imaginar que só essa fórmula que ele segue é a única que faz sentido,
é a única que está certa, é a principal, melhor que todas as outras,
não compreendendo que os outros moldes de vida estão "certos" também.
Temos que entender e não se intrometer no viver do outro
tentando convertê-lo para nosso lado, nosso grupo, nosso modo de viver.
as maneiras de vida já estão criadas, mas ainda temos a opção de escolher,
então não fique com essa mania secular de definir as pessoas por rótulos.
É muito foda julgar o outro pelos rótulos sociais que são designados para nós,
se você sente necessidade de se rotular e rotular terceiros OK, só não torne
um extremista de merda que tenta impor suas vontades e crenças para os outros,
isso só cria relações superficiais e identificações com prazo de validade.
Precisamos do nosso espaço para fazer essas escolhas,então entenda isso
como algo que é natural, não perdendo seu tempo na busca por mais adeptos
de seus rótulos. Aproveite seu tempo vivendo da forma que quiser sem
receio ou medo de ser crucificado pelos demais, apenas viva!
WAKE UP!
01/04/11
[Casos e Acasos] “Ora, pensar é uma coisa desaforada”
Brasil é uma terra de ricos e pobres – de espírito e causa. Uns tão muitos comem as migalhas que, como favores, são lançadas ao chão ao som de gargalhadas estrondosas - granjeiros que jogam milho para as galinhas que lhes trarão o caviar. Sabe, esta é uma nação de masoquistas. É curioso como nós, sol a sol, cavamos a cova donde jogarão nossos restos quando estivermos imóveis, inúteis, impossibilitados de mover as roldanas desta máquina mortífera que é o mundo. E destes restos, passivos, surgirão os esboços de revoltas, os porquês dos não fazeres, os não-seres, os destinos e desatinos de quem trabalha, trabalha, sem retorno. Assim, as réstias de sonhos se dissipam ao sabor da estagnação, o desânimo abate as expressões vazias e o comodismo, tão devastador quanto a crise, faz com que os joelhos, frágeis, desnudos, se enfraqueçam. No final do dia, cansados das decepções cotidianas, sentam-se para ver o Jornal Nacional entrevistas analfabetos políticos e ventríloquos humanos.E no fim, com o descaso estampado no rosto, suspiram de desgosto, estufam o peito – de um orgulho de pavões que se gabam das penas que não têm –, e bradam seu ódio ignorante, de quem odeia política, sonega imposto de renda e vota em quem lhe paga cesta básica.







